segunda-feira, 15 de março de 2010

Em Sampa, de volta ao Doutorado/PUC-SP



Olha euzinha, aqui, outra vez! Transitando pela Rua Monte Alegre e respirando as paredes dessa Universidade. Sentindo o êxtase que o acesso ao conhecimento proporciona e ao mesmo tempo aprendendo a sobreviver as imposições que a vida acadêmica impõe. Escolho, utilizar as palavras de um grande filósofo para tentar se aproximar do que sinto. Pierre Bourdieu, escreve:

"Assim, para viver num mundo que não é meu, tenho que procurar entender as duas coisas: o que significa ter uma mente acadêmica - como é que se cria isso - e, ao mesmo tempo, o que foi perdido na aquisição dela".
Enfim... muitos ajustes, negociações, remobilizações...

segunda-feira, 8 de março de 2010

UMA BOA DICA PARA ENTENDER O BBB10

Não costumava assitir esse tipo de programa e sempre banquei a "intelectual", mas como uma pessoa que agora está inserida num programa de Comunicação e com outras curiosidades... comecei a assistir, sem fanatismo, é claro. Fora que, com dois sobrinhos adolescentes viciados em BBB10, optei em bancar a tia "grilo falante". Sabe aquela que puxa uma reflexão e tenta levar a discussão para um tônica menos consumista? Entretanto, andei muito indignada com a manipulação da Globo e a forma como Marcelo Dourado caiu no gosto da mídia e da população. Ao ponto de desistir de acompanhar o programa e continuar no posto da tia "intelectual"... Assumo: não assisto mais e tenho raiva de quem sabe!
Porém hoje, vasculhando a internet me deparo com o blog de Jean Wyllys e encontrei uma postagem que explicou de modo muito bacana os "motivos" do sucesso de Marcelo Dourado. Talvez tenha encontrado um substituto para os meus sobrinhos, para o posto de tia "grilo falante" no que se refere ao BBB10. Se você, companheiro de Blog, tem interesse por essa questão.... vale a pena conferir!!!
VAI LÁ...
Blog de Jean Wyllys
Assunto: Autoridade dourada e facista
LINK:

Um pouco de Poesia...




SOBRE A DANÇA...
Dançar é dar movimento ao som,
fazer a música ganhar corpo
e a alma se comunicar...
Pulsando levemente,
vibrando intensamente,
tomando forma de gente, na expressão de uma vida...

SOBRE O VENTRE...
O ventre é o casulo da raça.
O templo humano,
o primeiro mundo.
É a pele, que se entende e se estende...
E gesta, espera, guarda e gera, em movimentos sagrados,
o sangue perpetuado numa vida que dança...

SOBRE A DANÇA DO VENTRE...
Um ritual de celebração da vida e da dança.
Um transe de magia que descansa em algum lugar
entre a poesia e o bem querer...
Em formas femininas,
cai o véu da nossa sina:
ingressar ao ventre é renascer.

OBS: Poesia parte do foulder de propaganda pessoal, feita pela agência publicitária Novepontonove em 2004.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

QUANDO O ABSIMO SE ESTABELECE...

Cena do Cotidiano:

Qual é a sua profissão? – Professora de Dança. Ou Dançarina.
Possíveis situações a seguir:
- silêncio
- sorriso meio sem graça de quem fez a pergunta somado a uma enxurrada de frases totalmente sem propósito (Que legal, pelo menos não tem stress. Você dança o quê? Sabe dançar tudo, não é mesmo?, etc.)


Quem nunca passou por uma situação dessas? Como também preencher a ficha de consultório médico e a atendente olhar para você como se fosse um ET ou nas piores situações ser apresentada como a dançarina da família. Em meu caso específico, some-se a isso a tentativa de se justificar a escolha com um currículo extenso. Minha mãe sempre completa com a seguinte frase: ahhh, Márcia também é veterinária ou então... ela fez faculdade de dança, mestrado e agora está no doutorado. Tentativas de dar um diferencial, aqui, entendido como um “status” ou até mesmo uma legitimação intelectual a escolha pela área da dança.

Desde que me entendo por gente foi assim. Aos 17 anos quando prestei vestibular, minha opção inicial era a dança. Mas... ouvi de meu pai os seguintes argumentos: Dança não é profissão! Não dá dinheiro! Faz Medicina, Direito... e segue fazendo suas aulas de balé.

Não teve jeito... o chamado era mais forte. Depois de me graduar em Veterinária e ter condições de me sustentar, corri para a dança.

Mas vamos analisar esse abismo que se faz presente na vida de quem escolhe a área de dança como profissão.

Seria culpa de René Descartes?
René Descartes (1596-1660) foi filósofo, físico e matemático francês. Destacou-se por ser conhecido como fundador da filosofia moderna e ter influenciado o Pensamento Ocidental.

Descartes com o seu rigor matemático e racionalista foi responsável pelo cartesianismo ou pensamento cartesiano, uma oposição ao empirismo da época. Nesta direção, acreditava que Deus criou o universo como um mecanismo perfeito. E em relação à ciência só se poderia dizer que algo existIa quando provado. Assim, dividiu a realidade em res conngitas (consciência e mente) e res extensa (corpo e matéria).

Desse jeito, a distorção ideológica estava posta. Levando as gerações de filósofos seguintes a reforçar o entendimento da mente e corpo como duas instâncias separadas. Daí vem todos os equívocos que vivenciamos hoje, principalmente o entendimento da mente como nossa parte pensante a subjugar e comandar o corpo (veja aqui no Blog a postagem sobre Dança e Cognição).

Basta prestar um pouco mais de atenção na forma como falamos, nas propagandas veiculadas na mídia e na forma como fomos educados. Vamos lá... “Inteligente é aquele que usa a cabeça”! Foi mais ou menos com um argumento desses que até pouco tempo a propaganda do supermercado Carrefour pregava o pensamento cartesiano. Com a garota propaganda - Ana Maria Braga - sugeria que os clientes usassem a cabeça na hora das comprinhas, ignorando todo o corpicho!Sem contar frases imortais que ouvimos deste criança: “quem não pensa o corpo padece”. Como se só agíssemos certo quando pensamos com a cabeça – lócus da razão.

Coitado dos nossos corpichos! Foram renegados, ditos como parte insana, emocional e até mesmo traidora. Afinal, a área jurídica se utiliza desse argumento para aliviar a sentença de muitos réus. Como se movidos pela emoção tivéssemos perdido totalmente nossa capacidade de raciocinar e de nos responsabilizar pelos nossos atos. Não é a toa que muitas vezes após sermos tomados por alguma emoção abrupta, dizemos a seguinte frase diante da possibilidade de proferir alguma palavra: “deixa eu me recuperar”. Como se fosse preciso voltar à razão para garantir a produção de um conhecimento/fala confiável.

Assim, temos a seguinte topografia:

MENTE/CABEÇA: lócus da razão e, portanto, da cognição.
CORPO: lócus do sentimento e das emoções, sem chance alguma de produzir conhecimento confiável e duradouro.

E, agora José? Como tratar o corpo que dança?
Falar de Corpo, como se sabe, é também falar de dança. Ainda que o senso comum equivocadamente associe APENAS “sentimentalidades” ao corpo que dança. Ora se o corpo só expressa emoção e sentimento, o que se esperar da sua dança? Nada mais que uma fala indizível, que se basta na sua auto-apresentação.

Por conta do Pensamento Cartesiano associamos erroneamente a dança como uma arte menor, um fazer que se basta no efeito produzido em nós. Por isso não é raro acharmos pessoas que acreditam que dança não é profissão ou que para se dançar não precisa de estudos. Pensar, para quê? Pensar demais estraga! Basta sentir, basta dançar! Sinta! Sinta! Se entregue! (quantas vezes já ouvi isso!)

Sou tomada por indignação quando ainda existem pessoas que se surpreendem com o fato de existir faculdade de dança ou pior, um Programa de Pós-graduação/ Mestrado em Dança. Como se para seguir a carreira de dançarino profissional ou licenciado em dança bastasse apenas o dom de dançar ou fazer cursos aleatórios em academias. Nada contra a quem segue essa trilha. Mas, pelo amor de Deus, é preciso entender que um profissional da área de dança, como todas os outros profissionais, ambos necessitam de uma validação acadêmica para sua formação. O que me faz diferente de alguém que escolhe ser advogado, médico ou pedagogo? AMBOS TEMOS A OPÇÃO DE UMA TRAJETÓRIA UNIVERSITÁRIA PARA TRILHAR. EU DISSE: AMBOS!

É uma pena que somos todos reféns da tirania da razão, onde só se legitima áreas que privilegiam o mental. O que faz das artes do corpo, artes menores, desacreditadas e muitas vezes vistas apenas como puro entretenimento e não como produtoras de conhecimento.

Invertemos o jogo...

Aqui trarei o entendimento da dança como uma ação cognitiva para que pessoas da área de dança, não se sintam mais constrangidas com situações cotidianas descritas no inicio do texto.

Para tal tarefa, é preciso entender que o processo cognitivo acontece no corpo (entendido como mente e corpo inseparáveis) e, principalmente em um corpo não separado das experiências cotidianas.

Nesta direção, a dança tem como local de ocorrência imediata o corpo e dessa forma, favorece o corpo conhecer-se e a produzir conhecimento a partir do seu fazer. Ou seja,conhecimento a partir das ignições sensório-motoras provenientes do seu feitio.

Entendimentos esses que colaboram para a percepção do corpo não apenas como local de implementação da experiência/dança, mas também enquanto local de cognição e formação de conceitos. Para isso, é preciso pensar o corpo fora da noção dos binarismos, a exemplo de mente e corpo separados. Sendo assim, George Lakoff
[1] e Mark Jonhson[2] (1999), trazem idéias que servem a este propósito. Para estes autores, a mente é embodiment[3], ou seja, “corporificada”, idéia esta traduzida e implementada por Rengel[4] como mente corponectiva[5]. Logo, não existe mente separada e independente do corpo; razão não existe fora do corpo como se imaginava, mas nasce da natureza do cérebro, corpos e experiência corporal, pois “o ato pensante e o ato consciente passam a ser entendidos como implementados no corpo em ação no mundo, não mais como atributo de uma razão descolada ou anterior à experiência” (NUNES, 2003, p. 128), o que favorece pensar que

Cada entendimento que nós podemos ter do mundo, de nós mesmos, e os outros podem somente ser moldados em termos de conceitos formados por nossos corpos [...] Esses conceitos usam nosso sistema perceptivo, imagético e motor para caracterizar nosso ótimo funcionamento no cotidiano. Esse é o nível no qual estamos em contato máximo com a realidade de nosso ambiente (LAKOFF & JONHSON, 1999, p.555).


Portanto, é preciso considerar o corpo que dança enquanto “articulador, propositor e elaborador de informações” (KATZ, 2004, p.121) e assim, refleti-lo como estratégia cognitiva e de organização dos fenômenos que o constitui.

Avançando mais um pouquinho, trago a idéia da dança como pensamento do corpo de Katz
[6]. Sob essa perspectiva, é possível ir além do entendimento da dança apenas como uma ignição que nos permite “expressar” sentimentos e emoções. Assim, torna-se mais que urgente pensar que cada ação motora da dança se configura como um pensamento, pois como descreve Katz (2005, p. 40), “quando a dança acontece num corpo, o tipo de ação que a faz acontecer é da mesma natureza do tipo de ação que faz o pensamento aparecer”. A autora sugere ainda que:

Quando o corpo pensa, isto é, quando o corpo organiza o seu movimento com um tipo de organização semelhante ao que promove o surgimento dos nossos pensamentos, então ele dança. Pensamento entendido como o jeito que o movimento encontrou para se apresentar (KATZ, 2005, Apresentação).

Esse é o interesse, aqui, apresentar a dança como um pensamento implementado, ou seja, uma experiência sensório-motora que opera no contínuo corpomente, sem a separação de movimento e pensamento. Implementar a dança como pensamento do corpo propicia aos corpos que dançam o redirecionamento de posições e o exercício de questionamentos relacionados às ações/atitudes do cotidiano.

Essa hipótese acompanha, ainda, o modo empregado para designar pensamento: “uma maneira de organizar informações – uma ação, portanto, e não o que vem depois da ação” (KATZ, 2005, Apresentação). Nessa direção, é possível fazer aproximações com posição semelhante, sustentada por Sheets-Johnstone (1990) “[...] os conceitos são gerados ou tomados conscientes pelo corpo vivo na sua vida diária, ou seja, em ações e não em modelos dados a priori”, e continua citando ainda alguns exemplos de ações: mascar, urinar, respirar, etc. como geradoras de conceitos. Posições que possibilitam indicar a dança enquanto ação propositiva nos modos de organizar conteúdos simbólicos de quem a pratica.

O acompanhamento da proposição de dança como pensamento do corpo reside no sentido do pensamento como síntese temporária das relações entre as informações que transitam no corpo, no apronte da dança. A particularidade dos acionamentos e a transitoriedade das circuitações corporais provocam a exposição de soluções provisórias de ajustamentos no mundo.

Olhando para nosso próprio umbigo...
Basta sair do discurso acadêmico e refletir sobre nossas experiências e fazeres com a dança que vamos encontrar uma lista de ajustamentos e reposicionamentos de vida. Ajustamentos que muitas vezes iniciam-se a partir de questionamentos pessoais e das atitudes que cometemos no cotidiano.
De imediato a dança do ventre configurou-se uma ação cognitiva na minha vida, na medida em que permitiu o resgate/reposicionamento de conteúdos internos relacionados com a minha sexualidade, feminilidade e atitude frente ao outro.
Não quero aqui fazer uma listagem de transformações. O que seria muito fácil, afinal fui e sou exemplo de diversas reposicionamentos pessoais e co-participante de mudanças/ajustamentos na vida das alunas. Com a experiência de 16 anos de ensino de dança, posso legitimar o que escrevo. Sem esquecer, da ação desenvolvida com dança do ventre em interface com a violência sexual, na qual originou uma dissertação de mestrado e repropôs a dança do ventre como uma ação propositiva na reorganização de corpos adolescentes sujeitados.

Reposicionamento político: de que lado você está?

Tento concluir com a seguinte questão: Você vai continuar engrossando o coro de vozes que reforçam o corpo como o centro das emoções e a mente como o lócus do conhecimento?

Torna-se urgente se posicionar contrária a tirania da razão, que recoloca a dança como um fazer menor, justamente por não aceitar o corpo que dança como produtor de conhecimento. Pois, enquanto não lutarmos por esse reposicionamento político seremos co-responsáveis pela o tipo de profissional que está no mercado de dança. Assim como, o valor que se paga pelo nosso cachê, nossa hora-aula e pelas atrocidades que se cometem frente à lei de fomento e editais destinados a dança.

Não importa se estamos no comecinho dessa trilha. O que de fato se faz necessário é que mudemos nosso pensamento AGORA, a começar pelo entendimento de que corpo e mente não são instâncias separadas. Talvez seja o 1º passo para desmontar o abismo entre nós, profissionais da dança e o senso comum.
Referências Bibliográficas:
KATZ, Helena. Corpo e movimento II. In: GREINER, Chistine; AMORIN, Claudia (orgs). Leituras do Corpo. São Paulo: Annablume, 2003, p. 78-88.
______. Um, Dois, Três: a dança é o pensamento do corpo. Belo Horizonte: FID Editorial, 2005.
______. Vistas de entrada e controle de passaportes da dança brasileira. In: Tudo é Brasil. CAVALCANTI, Lauro (org.) Rio de Janeiro: Itaú Cultural, p. 121-131, 2004.
[1] George Lakoff é lingüista cognitivo e professor de Lingüística da Universidade da Califórnia em Berkeley, EUA. Foi um dos fundadores da Lingüística Gerativa dos anos 60 e da Lingüística Cognitiva nos anos 70. Em parceria com Mark Jonhson foi autor dos livros: Metaphors We Live By (1980) e Philosophy in the Flesh, the embodied mind and its challenge to Western Thought (1999).
[2]Mark Johnson é filósofo cognitivo, professor e coordenador do Departamento de Filosofia da Universidade de Oregon. Parceiro de George Lakoff, é bem conhecido por contribuições no campo da Filosofia, Ciência Cognitiva e Lingüística Cognitiva.
[3] Termo utilizado por Lakoff e Johnson para o entendimento da mente/corpo inseparáveis. Para estes autores o processo de conhecimento se dá no corpo. É o corpo que conhece. É o corpo que pensa. O pensamento não se produz na razão, fora do corpo.
[4] Lenira Rengel é Doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP, Mestre em Artes – Dança pela Unicamp e Bacharel em Direção Teatral pela ECA/USP. Assessorou a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo na linguagem dança (2002-2007) e é autora do Dicionário Labam, Cadernos de Corpo e Dança (Editora Annablume), entre outros.
[5] Termo traduzido por Lenira Rengel e José Roberto Aguilar para embodiment, no sentido de mente/corpo trazidos juntos, em vínculo biológico, psicológico e cultural.
[6] Helena Katz é crítica de dança, professora da Faculdade de Comunicação e Artes do Corpo e do Programa de Pós-Graduação de Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e autora do livro Um. Dois. Três: a dança é o pensamento do corpo, 2005.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

DANÇA E COGNIÇÃO

Segue abaixo algumas considerações escritas em 2007 na época do mestrado sobre dança e cognição. Espero que esse texto ajude, sirva como base, para o outro (Quando o abismo se estabelece)que vou postar a seguir.
DANÇA E COGNIÇÃO
COGNIÇÃO?
COMO SE DÁ O PROCESSO DE AQUISIÇÃO DO CONHECIMENTO?
DANÇA É CONHECIMENTO?
COMO PENSAR COGNIÇÃO EM DANÇA?
COMO O CORPO CONHECE?
O CORPO PRODUZ CONHECIMENTO?


Várias questões surgem ao refletirmos no processo de aquisição do conhecimento. Mas se tratando especificamente de dança e conhecimento, outras implicações surgem em decorrência de um entendimento que retira o corpo como local de cognição, e aponta os processos mentais apoiados em um sistema racional conceitual, como o lócus do conhecimento. Desta maneira, perpassa um entendimento das artes do corpo, no nosso caso a dança, como uma proposição complementar, a serviço de outras áreas produtoras de conhecimento. O corpo é entendido alo como algo menor e muitas vezes apenas como um veículo a expressar as informações do mundo. Distintamente da noção de corpo como um processador a negociar as informações e a comunicá-las em tempo real em um fluxo contínuo com o ambiente. Entender o corpo como veículo é reforçá-lo como NÃO produtor de conhecimentos.


Esse entendimento provém do dualismo cartesiano postulado por Descartes (1596-1650), um filósofo que construiu um conjunto de idéias a respeito da mente e do corpo, que continuam a influenciar as ciências e humanidades nos dias atuais. Uma noção dualista que separa a mente do cérebro e do corpo, configurando o ato de pensar separado do corpo e o pensamento como o verdadeiro substrato da existência, celebrado pela frase: “penso logo existo”. (Frase que tem como premissa o pensamento racional para a existência).

Para Descartes a mente, “a coisa pensante”, estava fora do corpo, como uma substância imaterial e especial, sem localização no espaço/independente do corpo, e o corpo, como “a coisa não pensante”, material a ocupar o espaço. Tal entendimento origina a concepção do “fantasma da máquina”, que trás a idéia de “um fantasma-mente” (fora do corpo) a guiar um corpo.

Essa matriz geradora semeia crenças filosóficas básicas que estão atadas a uma visão de razão fora do corpo e transcendental, onde o sistema conceitual humano é universal, literal e independente do estudo empírico. Que contribuem significativamente para o entendimento das artes do corpo como artes menores, não produtoras de conhecimento – não pensantes, afinal a mente é o local da razão e o corpo é o local da emoção. (“Quem faz dança não pensa, não precisa estudar”).

O dualismo cartesiano é criticado duramente na segunda geração dos cientistas cognitivos, em um embate que propôs a revisão da visão clássica da filosofia ocidental, a partir de três principais descobertas:
- a mente é inerentemente corponectada
- a maior parte dos pensamentos são inconscientes
- abstratos conceituais são em grande parte metafóricos

Dentre estes cientistas, se encontram Lakoff e Johnson, que propõem uma mudança radical na nossa compreensão de razão e por conseqüência a compreensão de nós mesmos.

Lakoff e Johnson propõem o conceito de “embodiment” – mente “corponectada”, onde a mente não é fora do corpo como se acreditava, e a razão nasce da natureza dos nossos corpos, cérebros e experiência corporal. Neste sentido a mente é corponectada e a razão é formatada pelas pecularidades do nosso corpo humano, pelos detalhes da estrutura neural de nossos cérebros e pela especificidades da nossa função cotidiana no mundo.
Desta forma, segundo estes autores, a compreensão que podemos ter do mundo só pode estar estruturada em termos de conceitos moldados pelos nossos corpos. Assim, toda inferência conceitual é também uma inferência sensório-motora, o que legitima as artes do corpo como área de conhecimento, e o corpo como local de cognição.

Desmontes necessários ao entendimento do corpo como local da cognição e para legitimar a importância das experiências sensório-motoras no sistema de formação dos conceitos. O que ajuda a refutar a idéia de um sistema conceitual universal, puramente literal e fora do corpo.

Essas contribuições contrariam a idéia de cognição “desembodied”, independente do corpo e do cérebro, onde a razão e o sistema conceitual são baseados em comprometimentos a priori, adotado por uma concepção funcionalista da mente.
FONTES IMPORTANTES:
O termo "embodiment" é utilizado por Lakoff e Johnson para o entendimento da mente/corpo inseparáveis. Para estes autores o processo de conhecimento se dá no corpo. É o corpo que conhece. É o corpo que pensa. O pensamento não se produz na razão, fora do corpo.
George Lakoff é lingüista cognitivo e professor de Lingüística da Universidade da Califórnia em Berkeley, EUA. Foi um dos fundadores da Lingüística Gerativa dos anos 60 e da Lingüística Cognitiva nos anos 70. Em parceria com Mark Jonhson foi autor dos livros: Metaphors We Live By (1980) e Philosophy in the Flesh, the embodied mind and its challenge to Western Thought (1999). Mark Johnson é filósofo cognitivo, professor e coordenador do Departamento de Filosofia da Universidade de Oregon. Parceiro de George Lakoff, é bem conhecido por contribuições no campo da Filosofia, Ciência Cognitiva e Lingüística Cognitiva.

Retomando os projetos de vida...


Quarta-feira de cinzas já ficou para atrás e cá estou eu "novamente" encarando minha vida em trânsito. A fotinha da Mafalda acima fala mais que qualquer palavra... lá vai eu!!!


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

BIOCENTRUM: uma excelente dica para cuidar da saúde corporal!

Quero compartilhar com vocês um site super bacana (que está como link no lado esquerdo do meu blog) de pessoas super comprometidas com a saúde corporal. Para quem busca informações preciosas sobre BIODANÇA, ANÁLISE BIOENERGÉTICA, PILATES, GYROKINESIS, TEATRO e ENFERMAGEM, sinceramente, acessa lá! Também peço para darem uma olhadinha em um artigo que escrevi e está postado na Seção Espaço B. Fiquei super feliz quando recebi o convite da Biocentrum, em específico de Juliana Rocha, para postar algumas considerações sobre minha ação com a Dança do Ventre em interface com a violência sexual. Afinal somos todos uma rede de compartilhamento, ligados por "fiozinhos" invisíveis que vão além da tecnologia e sim por ações de vida. Ajudem a divulgar um espaço comprometido e sério, como este, presente no mundinho virtual. (coisa cada vez mais rara, hem?)
OBRIGADA!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Grito de Carnaval na Ilha


Oi meu povo... Esse ano não teve quinta no samba com o Alerta Geral, nem Mascarados, nem minha amada Ivete no Coruja com a companhia de Sâmia e abrigo de tia vidinha na barra, nada de me preocupar em amarrar com nó bem dado, daqueles de "amarração" as contas de Gandhy do maridão, nada, nada, nada... Nem a saída do trio de Alexandre Leão hoje na barra com a cumadre Cristina... :-( Buáaaa!!!!
Eu quero é banho de ilha que vale mais que qualquer banho de cheiro e alfazema. Quero me esticar na areia e relaxar...
Bom carnaval para todos que ficam aqui em Salvador. Ficarei fora do ar por um bom tempo!!!
Ahhh! Para quem acompanha o blog, deve ter notado que exclui algumas postagens. Desculpem! Senti muito, muito, muito... mas foi necessário por motivos "força maior". O que importa é que estou bem, muito bem, tá? Logo estarei aqui bronzeada de sol.
Beijinho lotado de carinho...