terça-feira, 29 de junho de 2010

O QUE FAZ VOCÊ FELIZ?


Desde que entrei num Programa de Pós-Graduação em Comunicação, digamos que... passei a ser mais crítica quanto a forma em que a mídia divulga uma informação. Perceber que discurso ideológico está por trás de uma ingênua propaganda, por exemplo. Que de ingênua, não tem nada. Se configura mesmo, como um dispositivo de captura das nossas ações, desejos e modos de ser no mundo.

É incrível perceber o modo como o campo da publicidade e propaganda tem investido pesado nas emoções do seu público-alvo. Pois, através dos estudos avançados da NEUROCIÊNCIA, se tornou incontestável a participação das emoções nas tomadas de decisão. Antes, vista como o lado "não confiável" do ser humano, hoje, as sensações sensoriais e as emoções, são necessárias para os processos de cognição. Pois não existe NADA no corpo que não passe pelo sensório-motor. Até mesmo a decisão mais RACIONAL do mundo.

Assim... vocês devem concordar comigo, no modo como o formato das propagandas hoje investem na captura da nossa subjetividade. Desde a propaganda de uma marca de margarina, de um carro, até... de supermercado.

Eu, que sou a pessoa, mais BLINDADA no que se refere aquele objeto de quatro rodas.... Ahhh, automóvel!!!! Sem desejos consumistas (do tipo: qual o carro dos seus sonhos?) e impossível de memorizar uma marca, indústria automobilística, etc. Devo confessar, que fui capturada por uma dessas últimas propagandas de carro vinculadas na TV. Sabe aquela em que o pai leva a filha para o casamento? E que ao final, ele confessa que emprestou o carro da filha? Sim... Pois, pois... eu chorei! Fiz de imediato a associação com meu pai e me detetive na propaganda, sendo capturada pela lembrança paterna. Caso contrário, seria mais uma propaganda deletada no controle remoto. Afinal, carro não faz parte da minha lista de sonhos.

E desde modo, somos capturados sem perceber.... ou mesmo percebendo.

De modo próximo... sem choro, claro, devo dizer o mesmo da propaganda de uma rede de supermercado, que lança a seguinte pergunta: O QUE FAZ VOCÊ FELIZ? Que, aqui, parabenizo pela inteligente associação de felicidade, consumo e a rede referida.

Pergunta ou dispositivo de poder (?) imposto de uma forma tão sútil, cantada na voz do nosso ex ministro Gilberto Gil, que embala os nossos desejos mais consumistas. Desde um sorvete a uma marca de shampoo ou até mesmo uma pitza "emborrachada" embalada em uma caixa de papel colorida. Tanto que ao final da propaganda, entre memórias de infância, desejos intímos, projeções futuras... Olha lá você, transportada para o SUPERMERCADO, se imaginando dando uma voltinha para satisfazer uma "felicidade imediata".

Entretanto, hoje fiz um exercício contrário. Ao invés de dar uma voltinha no "super", preferi me fazer essa pergunta como um CONTRA-DISPOSITIVO do consumo. E fiquei pensando: o que me faz feliz??!!!!!

Estou com ela, ecoando em meu "corpicho". Tanto que já escrevi várias respostas. Também apaguei. Assim como, pensei que a noção de felicidade é totalmente co-dependente do nosso campo de percepção. Ou seja, a noção de felicidade se transforma. E sendo transitória, relaciona-se ao campo de informações que compõe a nossa vida em determinado momento.

Então vamos lá... vamos a listinha, sem pensar em hierarquias:

O QUE FAZ VOCÊ FELIZ? (ecoando na voz de Gilberto Gil)

- Sentir minha filha chutando dentro da barriga,

-Dançar, sempre...

-Ouvir música árabe, evangélica, blues, MPB, etc.

-Ouvir Roberto Carlos no maior volume fazendo a faxina na casa;

-Dormir abraçada com meu marido;

- Estar em família,

- Ver o mar na orla da barra, descendo o Cristo...

- Andar descalça,

- Comer acarajé com camarão,

- Ler um bom livro,

- Ouvir Helena Katz falar (em aulas, em seminários, etc.)

- Tomar banho,

- Conversar com amigos e colocar a "fofoca" em dia,

- Colo de mãe,

- Louvar a Deus,

- Dar aula de Dança (prática - teórica),
- Fazer justiça,

- Estender a mão ao próximo (coletivo que fazemos parte),

- Escrever,

- Fazer uma comidinha para o maridão, ser uma amélia, confesso!

- Uma boa aula de pilates,

- Dançar em volta de uma fogueira,

- Amar e ser amada,

- Conviver com meus bichos (Pandora e Quito),
- Receber do marido massagem nos pés,

- Saber que a vida/felicidade é feita de coisas simples....


E VOCÊ???

sábado, 19 de junho de 2010

TCE SOBRE DANÇA TRIBAL: UMA PESQUISA QUE INAUGURA UM CAMPO DE ESTUDO EM SALVADOR


Na quinta passada, 17 de dezembro de 2010, fiz parte da banca examinadora do trabalho de conclusão de estágio da dançarina-pesquisadora Joline Andrade, orientanda da Profa. Virgínia Chaves, graduanda do Curso de Licenciatura em Dança da Univerrsidade Federal da Bahia. E gostaria de usar esse espaço para compartilhar com vocês essa experiência, afinal temos o dever de divulgar iniciativas comprometidas em tratar a dança como objeto de pesquisa, fora do senso comum.
Em primeiro lugar, devo parabenizar a Escola de Dança da UFBA, por estimular seus alunos pelo viés da pesquisa artística e acadêmica. Num fazer, onde prática e teoria andam imbricados. Sem dicotomias que colaboram para a hegemonia de entendimentos como o de quem faz dança, não precisa pensar, apenas sentir. Assim, o que deveria ser um TCE, no formato de um relatório de estágio supervisionado, apresentou-se como um estudo crítico reflexivo sobre uma prática. Com uma rica argumentação teórico-prática sobre a dança tribal fundamentada por uma filiação teórica, que não deixa nada a desejar aos esboços iniciais de uma pesquisa de pós-graduação. Tanto que, o estudo inicial feito por Joline, com alguns ajustes poderá se transformar facilmente num pré-projeto de seleção de mestrado.
Em segundo lugar, gostaria de parabenizar Joline pelas articulações teóricas apresentadas no texto. Que muito se devem ao seu percurso na Universidade, pois é perceptível o modo como o acesso (aproveitamento) ao conhecimento no ambiente da graduação, faz, SIM, toda a diferença. Pois, fui professora substituta dessa disciplina - PRÁTICA DO ENSINO DA DANÇA e, devo confessar que cada aluna (o) opta por diversos processos de reflexão. Alguns, constroem conexões muito iniciais, enquanto outros, conseguem dar saltos significativos. Sem que isso, seja uma avaliação hierárquica, entretanto, é preciso pontuar as diferenças.
Vamos ao TCE...
A começar pelo título:
DANÇA TRIBAL: PLURALIDADE ÉTNICA E FUSÃO CONTEMPORÂNEA
Achei muito interessante essa idéia trazida de imediato, ou seja, a dança tribal como uma configuração plural e em fusão. Que no decorrer do texto é explicado a partir dos rastros de algumas matrizes culturais que constituem a dança tribal, repropostas como identidades MIXADAS (muito bom essa definição) que se organizam em processos de fusão.
A arquitetura teórica:
A análise dos dados coletados durante o estágio e a construção do texto se deu a partir " das teorias do hibridismo e mestiçagem nos estudos de sociologia de Serge Gruzisnki e Peter Burke, na concepção de identidade cultural na pós-modernidade desenvolvida por Stuart Hall, no entendimento da Complexidade através do sociólogo/antropólogo/historiador Edgar Morin, nos estudos da sociedade de consumo de Jean Baudrillard e finalmente em autoras que organizam estas e outras informações no pensamento sobre a dança como Helena Katz, Christine Greiner e Laurence Louppe". (trecho extraído do resumo)
Conexões apresentadas:
- O ENTENDIMENTO DA NOMECLATURA TRIBAL (a partir da idéia de tribos);
- A EVIDÊNCIA DA MESCLAGEM PRESENTE NA FORMAÇÃO DA DANÇA TRIBAL;
- HIPÓTESES PARA A PREDOMINÂNCIA DE ELEMENTOS DA DANÇA DO VENTRE (70%) NA ORGANIZAÇÃO DA DANÇA TRIBAL, A PARTIR DE FENÔMENOS DE ADAPTAÇÃO E APPROPRIAÇÃO EXPOSTOS POR PETER BURKE (LIVRO HIBRIDISMO CULTURAL, 2003);
- A CONSTITUIÇÃO DA DANÇA A PARTIR DE IDENTIDADES (MÓVEIS E EM RELAÇÃO), NOMEADAS COMO IDENTIDADES EM FRACTAIS;
- UM ESBOÇO DE DISCUSSÃO SOBRE O CORPO FEMININO, CORPO ERÓTICO E CORPO DE CONSUMO NA DANÇA TRIBAL E NA DANÇA DO VENTRE (constitutiva da dança tribal) PELO FILTRO DE BAUDRILLARD (1991);
- UMA ARTICULAÇÃO CONCEITUAL E ESTÉTICA ENTRE A PERFORMANCE UTILIZADA POR NEY MATOGROSSO (durante a sua atuação no grupo Secos & Molhados, 1973-1974) E AS PERFORMANCES DE DANÇA TRIBAL REALIZADAS NOS ÚLTIMOS ANOS. PELA ÓTICA DO HIBRIDISMO, PERFORMANCE E MOVIMENTOS DE CONTRA-CULTURA.
Conexões e reproposições que me fizeram pensar e propor para Joline alguns desdobramentos para pesquisas futuras. Pois, acredito que um bom trabalho tem essa função, inicialmente ensinar o outro, já que é uma produção de conhecimento e não apenas uma informação a ser acessada, como também servir como ignição para outras trilhas. É por isso que a noção de autoria é reproposta hoje, como co-autoria, uma vez que quando a informação caí no mundo, ela caminha com pernas próprias e instiga o outro a produzir/propor juntamente com o autor inicial. E assim, segue minhas proposições...
- Pensar sobre mecanismos para potencializar a tendência de mesclagem da dança tribal como um andítodo para padtonizações. Pois, AINDA que, hoje se tenha uma diversidade estilisca muito grande, como a exemplo das fusões californianas: o jazz fusion, gothic tribal fusion, vintage bellydance, balkan fusion, afro-bellydance fusion, entre outras, percebe-se um movimento de padronização das coreografias como produtos de mercado. O que de alguma forma implicaria numa produção em massa, principalmente pela mídia, gerando estabilidade aos processos de replicação e a depender, uma "perda" das mesclas COMO transformações contínuas.
- Refletir sobre a armadilha criada em torno da exotização da dança tribal. Pois, se por um lado a dança tribal coneguiu romper com as estratégias de erotização feitas com a dança do ventre, hoje torna-se refém de ser etiquetada como um produto exótico. Uma tendência mercadológica de sublinhar o exótico (assim como foi feito com as culturas distintas do colonizador, basta lembrar do que foi feito com os nossos índios), reforçando uma leitura reduzida de um fenômeno. Ou seja, achata-se a complexidade da dança e sublinha o exótico que o outro lê. E muitas das bailarinas, talvez, têm seguido essa tendência. Muito observado na forma como valoriza o apresentar-se na dança, o figurino e a maquiagem, sem dar a mesma "atenção" aos processos investigativos do corpo. A questão aqui posta é a redução da complexidade da dança e a produção em massa de uma dança caricatural. Enfim, muitas vezes uma dança que atende a consumo mercadológico e não ao entendimento de produção artística. Como ESCAPAR dessa armadilha?
- A idéia de performance contida na dança tribal. Algo a ser explorado, principalmente a partir dessa articulação com o "performer" Ney Matogrosso. Seria o sentido performativo uma estratégia de sobrevivência da dança tribal?
Enfim, essas são as minhas inquietações.
Espero que Joline possa difundir sua pesquisa e contribuir para ampliação do entendimento sobre a dança tribal. A chamada no blog é apenas um passo inicial. Recomendo para quem se interessar, tentar entrar em contato com essa pesquisadora, que corajosamente inaugura um campo de pesquisa.

domingo, 13 de junho de 2010

E por falar em saudade...




FEIRA DIAMANTINA-MG

Hoje pela manhã, como de costume no domingo, após o café...passo um bom tempo lendo o Jornal A tarde (Salvador-Ba). Um ritual herdado de meu pai. Que começa com a espera da senhora, que entrega há mais de 10 anos o jornal em nossa porta. Folheio cada página... mas sigo uma ordem costumeira. Inicialmente vou para as colunas de Malu Fontes e Danuza Leão, para depois ir para a revista MUITO, seguida da revistinha da TV, matérias da 1ª página e a seção policial. E ao me deparar com a coluna de Danuza Leão entitulada, "Por falar em saudade", de imediato pensei em usar o texto escrito como inspiração para um post aqui no blog. Peço desculpas, por ter copiado o título, que veio também da música - Onde Anda Você, do nosso poetinha Vinicius de Moraes. Contudo, quero deixar claro que a minha saudade não tem nada haver com os hábitos por ela abordados, ou seja, fumar um cigarro e tomar uma boa e velha dose de uísque, mas são sensações, sabores, cheiros, sons, paisagens... hábitos incorporados nessa minha vida em trânsito nesses últimos 3 anos.

Quero, aqui, transitar por esse recorte temporal e geográfico, para não correr o risco de ir longe demais e chegar até a década de 80. Com todas aquelas maravilhas que conhecemos e hoje, se tornaram acervo de muitos adultos-jovens que fazem o tipo meio descolado e "retrô" (devo confessar que sou simpatizante dessa categoria). Ai saudade da década de 80! Mas deixa lá...saudades e mais saudadades...

De 2008 a 2010 venho acompanhando meu marido nas suas remoções pelo território nacional. Em 2008, moramos em Diamantina (MInas Gerais) já em 2009 fomos de Campinas (São Paulo) e para Paulo Afonso no interior da Bahia. Sendo que neste ano estive em trânsito entre Salvador, Paulo Afonso e São Paulo, onde faço o Doutorado em Comunicação e Semiótica-PUC. Vida cigana que me faz experimentar de um tudo. Não ter pudores em incorporar hábitos locais e me dar o "luxo" em ser uma cidadã em trânsito.
De cada lugarzinho que passei, tenho uma lista de "saudades"... E se pudesse encontrar o "gênio da lâmpada" pediria um único desejo: uma mescla dessas experiências sem que tivessem tempo para acabar.

A começar por...
Diamantina- MG
- O café acompanhado de bolo de milho e pão de queijo do CAFÉ MINEIRO.
- As conversas na porta de casa, na lojinha de Sâmia.
- A feira no sábado, com as verduras deliciosas e fresquinhas, regada de "cachaça", pestiscos e música sertaneja para aguentar o frio.
- A missa na Catedral de Santo Antônio.
- A minha varanda, na qual ficava igual a jacaré tomando sol.
- Das amizades que fizemos ali.
Campinas-SP
- A nossa casinha tão aconchegante(a cozinha enorme).
- Minhas experimentações como dona de casa e cozinheira.
- Os passeios pelo Cambuí.
- As aulas de yoga e Pilates na acacdemia, na esquina de casa.
- A pitza de cebola, shimeji e shitake da Pizzaria Brás.
- A confeitaria Romana.
- As noites de frio regadas a vinho casal Garcia e Fondue.
- O trânsito livre.
- As amizades que fizemos ali.
São Paulo (período do Doutorado)
- Do convívio semanal com minha querida orientadora, Helena Katz (a pessoa mais generosa que conheço do meio acadêmico).
- Dos domingos na Igreja Batista Perdizes.
- Da PUC em todos os sentidos: CED, aulas, biblioteca, amizades...
- Da feira as terças-feiras na Rua Ministro Godói.
- Da broinha com café na cantina do 5º andar na PUC, na companhia de Amanda, Leila e Andréa.
- Da grade de possibilidade de espetáculos de dança, durante toda a semana.
- Do frio, que de alguma forma nos proporciona diversos prazeres: chocolate quente, cobertor e um bom livro e a vontade de não sair da cama.

Não vou aqui, escrever sobre Paulo Afonso... Porque por agora, não significa uma passagem em nossas vidas... mas devo confessar: que morro de vontade de ficar na minha casa ampla e de saudade da cidade tranquila, onde se pode transitar de carro sem engarrafamento.
E com relação a sampa, devo voltar outras vezes, afinal ainda tenho que retornar para a qualificação e defesa. A "broinha" do 5º andar que me aguarde!
Mas sinceramente, se pudesse viveria todos esses lugares-pessoas, gostos, sensações no AQUI E AGORA.
E POR FALAR EM SAUDADE... do que você sente falta?

terça-feira, 1 de junho de 2010

Felicidade antecipada...


“No dia seguinte o príncipe voltou. Teria sido melhor se voltasses à mesma hora – disse a raposa. _ Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz! Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade"!

FONTE: O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry

O amor tem dessas coisas... independente das suas rotinas e fases. Sempre é tempo de ter o coração batendo a espera do amado. E não tem jeito... a felicidade vem antecipada às três horas da tarde, na noite de insônia que antecede a sua chegada, nos cuidados com o visual, com a casa... Me encontro assim: feliz! De pijamão, cobertor e meias. Ainda que essa felicidade não combine com o céu cinza e o frio de sampa. Tem mais a cara do sol de Salvador, não é? Uma tarde no Rio Vermelho comendo acarajé e olhando para aquele mar. Enfim, seja aqui ou em qualquer lugar, que o amor possa nos trazer dias felizes e noites com sol...

sábado, 29 de maio de 2010

UMA BOA DICA: A HISTÓRIA DO CORPO


Para quem se interessa pelo corpo como assunto de estudo, essa é uma boa dica: História do Corpo, com os organizadores Georges Vigarello, Alain Cobin e Jean-Jacques Courtine, 3 volumes, da Editora Vozes.
Sinopse:
A obra 'História do corpo' mobilizou dezenas de historiadores para afirmar a centralidade do corpo como objeto de estudo da história humana. A caixa é composta de três volumes que revelam o quanto as práticas, os objetos, as técnicas, os olhares e as representações se recompõem em temas como a alimentação, as relações familiares, a higiene, a prostituição, os esportes, a beleza e a estética, o pudor, a saúde e a medicina, o imaginário e as crenças, as ciências, os papéis do gênero, a sensibilidade e as artes, a cultura e a religião, enfim, como evoluíram historicamente as noções e as formas de se relacionar com o corpo em todas as áreas do conhecimento, na cultura e na sociedade desde a Renascença até o século vinte.
Fonte de Consulta: Livraria Cultura
Esse é um tipo de investimento que vale muito! Eu recomendo, porque comprei. Aproveitem!

LEMBRETES COMO ANTÍDOTO PARA O LUTO ESTENDIDO


Ultimamente a saudade de meu pai tem sido um grande aprendizado para mim. Um desafio para não migrá-la junto a outras sensações, como por exemplo, a melancolia, que insiste vir junto com a alegria que se corporifica com a presença de Maria Elisa. Pois, quem diz que a saudade se dilui com o tempo, se engana. Em minha opinião, ela migra, traveste-se de outras circunstâncias e emoções. Agora mesmo, não tem como desviar-se, saudade-melancolia que antecipa a ausência de meu pai no dia do nascimento de sua neta.

Muitas questões me invadem e invadiram em todos os momentos em que a saudade vem/veio visitar-me travestida em música, lembranças de infância, sonhos, presenças... E a maior dela resvala em uma ilusão: se de fato existe algo a ser feito para que a saudade não retorne de forma tão cortante no decorrer das nossas vidas. De forma menos cifrada, eu diria: existe alguma possibilidade de vivenciar um luto menos estendido? O que deve ser feito, afinal?

Ahhh já me perguntei tantas vezes isso... Já me culpei tanto... O fato de não ter tido a coragem de chorar o que meu luto pedia. O modo como encarnei a leitura feita por meu pai - da filha organizada e segui como de costume, organizando documentalmente a família. Preferi seguir em busca do atestado de óbito, pensão para minha mãe, acertos do sepultamento, etc. Culminando com a defesa do mestrado em dança dois meses depois, sem ao menos me dar a chance de escolher aquietar-me e elaborar a dor de outro jeito.

Acredito que seguir nesse fluxo de ações, talvez tenha sido a forma possível para lidar com a perda do meu pai. Pois de acordo com o cientista Fred Drestke, seguir em movimento é uma escolha cognitiva para categorização da experiência. Digamos que um modo de organização, onde os acontecimentos seguintes funcionariam como uma ordenação necessária para colocar as coisas no lugar.

Contudo, ainda me pergunto: será mesmo? Ou seguir no fluxo nada mais é que uma ficção devastadora, que no futuro quer você queira ou não, lhe cobrará um outro tipo de elaboração que não foi feita? Seguir em fluxo cria de fato deslocamentos? Muda a saudade de o lugar? Modifica?
...
Como entendo que nos primeiros momentos somos capturados pela dor da perda e pelo entorno, que para mim foi vivenciado como um espaço preenchido/esvaziado por solidão, silêncio, vozes, memórias, palavras descabidas, afetos, etc. Resolvo aqui, escrever algumas palavras, como uma tentativa de romper com esse seqüestro violento imposto pela própria situação. Pois é impressionante o que se diz e o que se faz em estado de perda. Muitas vezes pela impossibilidade de lidar com a falta de resolução instantânea. Resolução esta a ser almejada por muitos anos depois. Olha eu, aqui, dois anos após a morte de meu pai enfrentando o fantasma de algum tipo de solucionamento. Sendo revisitada constantemente pela saudade...

Sinceramente, não quero que minha voz chegue de maneira pretensiosa. Ou mais uma vez entendida como uma voz acadêmica. Não! Que seja entendida como um lembrete, endereçado primeiro a mim mesmo. Pois escrevo inicialmente, para mim. E ainda que atualmente peça ajuda aos meus livros, como um resíduo de elaboração, entendo que cada um lança mão do que lhe é possível. Eu, por exemplo, sigo de mãos dadas com Deus. Ele é meu conforto e um modo de comunicar-me com meu pai. Contudo, ontem em plena aula de doutorado, foi impossível escapar dessa conexão, ou seja, o luto e o entendimento de mobilização infinita proposto pelo filosofo alemão Peter Sloterdijk.

Ahhh pessoas... É impressionante como cada dia mais entendo que vivemos em rede. Se nosso corpo funciona em rede, o que podemos dizer das temporalidades? Quando se entende que os tempos são dimensões em rede, encontro um tipo conforto para esse ir e vir dos tempos e acontecimentos. Não tem como escapar! Pois, não existe a idéia de um passado fixo lá no ano de 2008 e do presente com o que se vive em 2010. Os anos de 2008, 2009 e 2010 são dimensões que se atravessam, num ir e vir dos tempos e acontecimentos. A questão é: como seguir nesse ir e vir dos tempos sem se tornar seqüestrada pela idéia de acontecimentos em suspensão? Chega de atormentar-me com inquietações que jamais terei solucionamento. Ou seja, do que fiz, do que deixei de fazer nos dias que se seguiram ao sepultamento de meu pai em outubro de 2008.

Creio que se existe alguma possibilidade de redenção para minhas inquietações, esta não se encontra na suspensão dos acontecimentos ou do retorno ao passado, e sim na possibilidade de aprender com o que foi vivido e está sendo feito, re-encenado a todo instante.

Assim, ouso-me a escrever meus aprendizados (sempre inacabados) na forma de lembretes. Um marcador, post-it, que mais uma vez digo: um tipo de serviço prestado primeiramente a mim mesmo. Lembretes a serem lidos, aqui no blog, toda vez que a saudade vier me visitar.

1º LEMBRETE
Não existe a possibilidade de colocar um ponto final na saudade e seguir adiante. Saia desse lugar de que é preciso por fim as coisas, para dar um passo à frente. A questão não se encontra em travestir a saudade de epílogo e passar para o capítulo seguinte, e sim fazer dessa convivência o ponto de seguimento para outras escritas. É ilusão pensar que o ponto final é a garantia de ZERAR a saudade.

2º LEMBRETE
O automatismo cinético, essa busca de estar sempre em fluxo, em movimento, não solucionará a perda. É uma ilusão pensar que estar em ação, nesse período de perda, resolverá o luto. Ainda mais quando somos encorajados por frases como:
“Que é preciso ficar bem”
“O tempo ajudará”
“Nada melhor que um dia após o outro”
“É preciso prosseguir”

É preciso estar atento que a captura pela mobilização infinita, idéia trazida por Peter Sloterdijk, na qual todos nós precisamos estar em movimento, dentro de um fluxo de ações que não cessam, se configura numa estratégia para não se vivenciar o luto. UMA ILUSÃO, TALVEZ. Será mesmo que no momento de perda, se faz necessário prosseguir? Ou dar um tempo para se vivenciar a dor?

Talvez, essas frases ditas e repetidas por nós são discursos que reforçam a pressão do NÃO ACONTECIMENTO DO LUTO. Afinal, o estar em movimento, dá a falsa sensação de encurtamento do luto e até de superação. E que no meio do fluxo, na etapa seguinte, se está a garantia de solucionamento do luto. Saiba: Não existe solucionamento para o luto. Nem encurtamentos. Você carregará o luto para sempre.

Volte-se para o seu corpo. Para o que ele pede. Chore. Corra. Grite. Dance o luto. Sei lá... Seja corajosa e honesta com o seu desejo nesse momento. Cair na cilada da ilusão tem um preço muito alto. É preciso coragem para seguir sem buscar saídas elegantes: como a de se zerar o luto e a saudade.

O importante é reconhecer onde você está e o que está fazendo. Mesmo que opte em seguir em movimento. Não vejo problema nisso. O problema consiste no não reconhecimento de que muitas ações são ilusões e que sinceramente, não são solucionamentos permanentes.

3º LEMBRETE
Não se culpe, não se atormente pelo que não foi feito. Saiba que tudo que se fez, o MAIS aqui, sempre será sinônimo de MENOS. Que sempre você será seqüestrado por essas dívidas eternas. A palavra que não foi dita. A ação que deixei de fazer. Tantas outras coisas. Saiba: se todos os seus atos foram feitos por amor, isso é o que importa. É no amor que encontramos a redenção de qualquer tipo de aprisionamento.

4º LEMBRETE

A melhor escolha é reinventar a convivência. Impossível na forma física, que tal na forma de lembrança? São nas lembranças diárias que se abrem outras formas de seguir. Lembrar-se de acontecimentos da infância, viagens, frases, o cheiro, o tom da voz, a cor dos olhos... uma música? São infinitas formas de lembranças-convivências que podemos abrigar internamente em nós. Não apenas como lembranças-ausências, e sim como centelhas de meu pai renovando-se a cada dia em mim. Quem sabe, assim a saudade não vem travestida de uma presentificação gostosa e não apenas sofrida? Hoje, sou responsável em habitar o imaginário de Elisa com lembranças doces do avô e não apenas com a sua ausência dolorida que se anuncia com a chegada do parto.

5º LEMBRETE
A morte não é o fim da comunicação. É preciso desmontar esse entendimento que a comunicação só acontece na forma de diálogo verbal com os corpos em vida. Aqui, tendo me libertar das formas habituais de comunicação. Para pensar a comunicação em outro lugar. Pois meu pai está em mim. Comunica-se comigo todos os dias. Basta olhar-me no espelho e ver o formato do meu rosto. A sua herança no meu corpo, é sem dúvida, uma forma de diálogo diário. Sem falar de outras crenças. A quem acredite, que a morte não esgota a comunicação entre as dimensões. Enfim... eu já senti meu pai ao meu lado, em uma frase que surge na minha tela mental, em uma música e em muitos sonhos...

6º LEMBRETE
O laço mais forte entre pais e filhos é o AMOR. Não me proponho a escrever sobre esse sentimento tão pessoal. Apenas quero lembrar-me que diante de qualquer saudade que me aflija nesse momento, eu tenho também a escolha de preencher-me internamente com o amor construído com o meu pai. E antes que o amor se ponha a serviço da dor, faço a escolha inversão:
Amor como gosto bom
Amor como forma de re-ligare
...
E a certeza do quanto fui amada por ele.

7º LEMBRETE
O tempo me dirá... ou quem sabe você, que está lendo esse post?





quinta-feira, 27 de maio de 2010

Por onde andará a sua menina-bailarina?




Digamos que, foi por correr atrás desse sonho que hoje me encontro aqui. Larguei a profissão de Médica Veterinária e fui fazer faculdade de dança, tornei-me professora/dançarina e Mestre em Dança pelo PPGDANÇA-UFBA. Tantas trilhas para chegar até o doutorado, que posso dizer: minha menina bailarina sobreviveu pela sua insubordinação. O seu "tutu" foi substituido por muitas coisas: pés descalços, saia cigana, xale de dança do ventre, sapato flamenco, articulações, corpo nú e muitos livros... e hoje creio que continua sendo os livros, uma vez que com eles encontro possibilidades de chegar a mais uma etapa desse sonho: o Magistério Superior.

Hoje um pouco endurecida pelo regime acadêmico, reivento-me por outro sonho: pela possibilidade de compartilhar com minha filha o gosto pela dança e música. Olha que louca! Minha filhota nem nasceu! Mas já me vejo com cara de boba indo buscá-la na escola de balé e arrastando os móveis para dançar com ela. É claro que, com uma pitada de insubordinação! O que será feito do seu "tutu"? Penso em muitas coisas... mais o que vale é experimentar... do balé a capoeira... ou quem sabe nada disso? Talvez a minha menina- bailarina esteja apenas em mim e não continuará em minha filhota. Nem adianta dizer que: filho de peixe, peixinho é. Deixa a dança nos levar...

terça-feira, 25 de maio de 2010

MUSEU DE GRANDES NOVIDADES... O TEMPO NÃO PÁRA.


De partida gostaria de pedir aos meus companheiros de blog que me perdoem pelo tom um pouco ácido da escrita a seguir. Contudo, o tipo de bibliografia que tenho tido acesso não me permite mais olhar para qualquer coisa no mundo com certa ingenuidade de antes... Meu olhar acostumou-se pelo avesso, a procurar o que não está aparente. Mas que está ali e insiste em se mostrar, basta procuramos “o quê” está no lugar de cada discurso enunciado/materializado/posto diante de nós.

Já pegando um pouco a carona do cientista Mark Bernstein , em seu artigo – “Dez dicas para escrever a rede viva”, ele nos coloca a idéia de que para a rede se manter viva, em constante mudança, é preciso encontrar “bons inimigos”. Na verdade um inimigo-amigo, pelo qual muitas vezes você é provocado e discorda de muitas questões. Justamente para que no conflito, entendido por Bernstein como uma ferramenta potente, outros pontos de visão de mundo sejam postos e iluminados. Pois, de que adianta nesse espaço estabelecer um diálogo monocêntrico, onde apenas o autor do blog se coloca e, em muitas situações é reiterado por comentários egóicos, sem menor pretensão de troca/transformação daquilo posto? É a prática da interlocução, que faz essa ferramenta ter uma dinâmica de comunicação. E quem disse que comunicação se faz apenas com reiterações daquilo posto?

Assim, longe de me colocar nessa posição de “inimiga-amiga” a disparar questões polêmicas... Sinto-me, na verdade, motivada a fazer uma leitura política de muitas questões que envolvem a dança/dança do ventre, mídia e poder, com o objetivo de provocar um novo olhar sobre o fenômeno. Desestabilizar um pouco, questões aparentemente muito “naturais” e vistas como uma “norma” a seguir por muitas dançarinas-aprendizes ou até mesmo profissionais já estabelecidas no mercado. Artistas que encaminham seus fazeres artísticos apoiados por discursos que confundem arte com prática midiática, divulgação com exposição espetacular... E legitimam sua produção artística, sem ao menos se dar conta de que é mais uma “captura” dessa cultura espetacular e midiática que achata nossa produção em dança.

Um pouco de Nostalgia...

Eu fui do tempo que para aprender/fazer dança do ventre era de fato uma tarefa de sala de aula. Consistia em amadurecer, digerir a informação/movimento, até o mesmo maturar-se e tornar-se corpo. Não tinha o imperativo do apresentar-se em público. O feitio da dança tinha como condicional o aprontar-se, o processo de descobertas, sem que isso necessariamente chega-se a um produto espetacular. O que interessava era a singeleza do processo de descobrir-se e do apropriar-se da dança.

O apropriar-se significava experimentar, experimentar... sem a preocupação com o produto finalizado. E sim, com o processo de assinar sua dança, não como a música da moda, com a “roupicha da moda, etc. Mas com o seu processo de investigação, de composição da coreografia. Sem a tirania dessas senhas prontas, que fecham qualquer porta do reinventar-se, autorizar-se como co-autor de algo que sempre foi dado pelo outro, mas que no corpo torna-se singular.

Estar em sala de aula ou em workshops era a possibilidade de ser co-autor do material dado, que no seu corpo era re-editado como algo “seu” e do “outro”. Uma reapropriação como micro-bicolagens clandestinas, mas que de tanta experimentação, se tornava um novo enunciado no corpo. E não mais um enunciado de... da professora tal, da dançarina tal, etc.

Lembro que em 1996, dando aula na Escola de Dança de Antônio Cozido, o único material de aprendizagem disponível era uma fita de vídeo de Lulu Sabongi, a Arte da Dança do Ventre. Imaginem, CDs? Raríssimos. Tínhamos fitas cassetes de George Abdoo e algumas outras coletâneas de música árabe. De modo, que a nossa criatividade estava a serviço da técnica e da possibilidade de sobreviver a pouca informação em circulação. Digamos que tínhamos um cuidado muito maior em colocar nosso fazer no mundo. Tudo era movido por muita pesquisa, ensaio e pela espera de apresentar-se um dia. Roupas? Músicas da moda? Era colocado em segundo plano, uma vez que a oferta desses elementos quase não existia. Contávamos com o nosso feitio e com o processo de maturar-se, fazer-se dançarina.

O tempo não pára...

Mas você pode estar querendo me dizer, calma Márcia, hoje ainda é assim. Mas eu insisto em te provocar: será?

Hoje o que percebo é o seguinte: um encurtamento do processo de aprendizagem movido pela necessidade de apresentar-se como um produto espetacular. Todas querem o palco. Todas querem postar seu vídeo no youtube. Todas querem recheiar seus álbuns no Orkut, com as fotos da última apresentação. Todas querem...

Não que o palco seja algo sagrado, temível e destinado apenas as estrelas. Todas nós temos direito a ele. Mas quero dizer, que o processo de fazer-se dançarina não pode ter o imperativo do apresentar-se e tornar-se um produto midiático.

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Olhe mais um vídeo no Youtube!!! Quem dá mais? Leiloamos nosso fazer artístico!!!! (desculpem-se por essa pitada de veneno)
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Sei que o tempo não pára... e a democratização da informação é algo extremamente positivo. Afinal não sou a favor da escassez de materiais da década de 90. Mas o que hoje me inquieta profundamente é o excesso e a rapidez com que essas informações chegam ao corpo, sem que de fato tenham algum sentido ou se tenha tempo necessário para fazer-se corpo. Para que a dançarina construa a sua dança e torne-se co-autora.

Assim se por um lado, em 2010, temos todo o acesso à informação, via internet e a profusão de workshops, aulas, materiais técnicos e de aprendizagem, por outro, temos perdido a dimensão de que o acesso a informação não substitui o processo de investigação/maturação em sala de aula. Informar-se e fazer-se corpo são ações complementares e não excludentes.

O apelo midiático é tão intenso que de cara fratura a condição do artífice e do tempo necessário para fazer-se obra. Hoje não importa mais o tempo que você tem de aula, ou quem é seu mestre. O que vale é estar visível. Seja por uma web Cam, no Youtube ou no velho palco de guerra. Basta-se da visibilidade midiática como condição básica para ser dançarina. É justamente esse holofote e os aplausos da cena, que legitimam tantos nomes artísticos no nosso hall de opções. Devo discordar. E penso que, não é o palco que legitima a arte e sim o processo de fazer-se obra artística.

Aqui, permito-me usar um entendimento de George Agamben, para localizar melhor minha opinião/inquietação. Pois este cientista italiano chama a atenção para a atual fase do capitalismo que tende a transformar “tudo em um museu”. Onde o que importa é a visibilidade e a contemplação de qualquer acontecimento. De modo que tudo se torna produto capturado pela mídia.

Nossos corpos, desejos, afetos... nossa arte, nossa dança, a serviço do olhar do outro. Não mais como um acontecimento capaz de dar um outro sentido ao seu entorno. Mas como materiais a serem capturados e desativados do seu potencial de transformação. Vive-se um total achatamento dos nossos sentidos e da nossa percepção imagética.


Impera-se a banalização. Nossa imaginação foi atrofiada. O que se dizer da nossa capacidade de “religar” com os universos mais sutis? . Por onde andam os fios? Foram cortados? Tudo é passível de contemplação apenas. Mas não de transformação.

Por entre tantos museus de “grandes novidades” me pergunto: o que se faz novo ao seu entorno? Talvez nessa última questão, encontremos a solução para muitas das inquietações aqui compartilhadas.

Repensar nosso fazer artístico não apenas pela necessidade de fazer-se museu. Mas sim, pela possibilidade de levar a novidade ao entorno. Não a novidade travestida com as velhas fórmulas tão gastas pelas estrelas da dança. Mas... pela potência que a dança tem de fazer novidade no seu acontecimento, ainda que seja sem a roupa da moda, sem a música da moda... Gostaria de apostar na singeleza do corpo que dança em cena. CORPO-DANÇA SINGULAR, que não se alimenta só de aplausos, mas com a sua verdade a ser lida como uma possibilidade de autoria. A VERDADE-AUTORIA COMO CONTRA-DISPOSITIVO DE CAPTURA MIDIÁTICA. UM DESMONTE PARA TANTAS PRODUÇÕES PREMATURAS, ENTENDIDAS COMO TEXTOS ARTÍSTICOS COPIADOS DE DANÇAS SACRALIZADAS NO MERCADO.