terça-feira, 1 de setembro de 2009

A PRIMEIRA VEZ COMO PARANINFA...

Ontem, 31/08/09, foi a colação de grau da turma 2009.1 do Curso de Licenciatura em Dança da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia. Vocês não imaginam como eu estava emocionada... Primeiro porque a escolha do meu nome como paraninfa da turma, me trouxe a valorização de um percurso na Universidade que nem sempre teve o devido reconhecimento e depois, a certeza de que a minha passagem como profa. substituta deixou marcas na vida de cada formando ali presente.

Quando os nossos atos são feitos por amor, colhemos amor. Essa foi a grande lição que aprendi ontem a noite. Que todo o meu “esforço” valeu à pena! A minha busca pelo afeto, pelo processo educacional tecido nas relações cotidianas, no olho a olho, no diálogo aberto, na escuta sensível e na ética de se colocar no lugar do outro. Afinal o que o aluno deseja, muitas vezes é totalmente diferente daquilo que você “pensa” que é necessário. Para tanto, é preciso a disponibilidade para transitar entre campos de saberes/aprendizados, com a finalidade de se fazer uma “liga” que tenha sentido e seja de fato, um processo de produção de conhecimento compartilhado. O aluno não é um depósito bancário, no qual você deposita o conhecimento e ponto final.

Ahhhh... ontem a noite chorei demais. Mal consegui dormir ao chegar em casa. Meu Deus, eu ali... uma professora que teve uma passagem tão curta na Universidade recebendo essa homenagem. Sentada na mesa de honra da Reitoria, ao lado de professores efetivos (que foram os meus professores) e da diretora da Escola de Dança. Longe de ser tomada por uma “vaidade” pessoal, para não dizer fútil... preferi “esvaziar-me” e estar disponível a receber, aprender...

E, sinceramente... a Solenidade de Colação de Grau não foi exclusivamente para eles – Cristiane, Daniela, Ítalo, Mauricio, Mila, Norma, Rita, Roseli e Viviane. Todos ali presentes foram contemplados. Foi tão impactante a auto-apresentação nas sacadas da Reitoria... O que se viu, foi um grupo de formandos com personalidade. Cada qual com sua “identidade artística”, sem medo de mostrar a cara ! Um exercício de CORAGEM e AUTONOMIA. Ainda mais hoje, onde vivemos um campo de extermínio para os artistas que não fazem parte do lado da Dança Contemporânea.

Foi um PRESENTE , ver duas alunas/colegas/profissionais de Dança do Ventre ali representadas! Roseli e Ritinha! Parabéns! Nossa arte ocupando mais espaços na Universidade!

Sem falar no sentimento de honra em colar grau... A emoção dos pais, familiares... A reverência a DEUS! A solenidade teve um sentido devocional, quase um CULTO!!!

Fiquei tão mobilizada internamente, que me fiz vários questionamentos... o percurso acadêmico nos deixa tão endurecidos. E, sinceramente... tudo que eu precisava era da energia, emoção de vocês...

Obrigada. Obrigada. Obrigada.

2 comentários:

  1. Querida, que felicidade não é?Paraninfa de uma turma na escola que passamos uma parte de nossas vidas,sonhando(como vc), nos dedicando, nos mobilizando, sofrendo, nos decepcionando e outras coisas mais.Sua presença constante/inteira orgulha nossa classe!Não dá para não olhar no olho!
    Esse exercíco de continuidade/afetividade enquanto docente parece fluir na sua fala e não descola de suas relações de amizade.Você além de boa profissional, boa aluna, boa colega, boa coordenadora,é uma amiga que tenho orgulho de partilhar.
    Parabéns pela homenagem, fui homenageada na Escola de Dança da Fundação Cultural e sei exatamente como se sentiu.Afinal todos nós trilhamos um caminho.Nosso caminho. Vale citar Dawkins, em o Rio que saia do Éden,que nos faz pensar e compreender melhor o que é um ser humano. "Quem somos nós? De onde viemos? Para onde vamos?".Palmas para o que as ciências/biologia evolucionista tem para nos ensinar sobre a nossa natureza última.
    Poderia escrever muito mais, vc merece!

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